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EMOP - SECAO VIII, O ACORDO VATICANO-MOSCOU
O ACORDO VATICANO-MOSCOU 
Jean Madiran 

Este acordo e o obstaculo real a Consagracao Colegiada da Russia. O secretario de Estado do Vaticano, sob a lideranca de Agostino Cardeal Casaroli - (que vem se notablizando por promover a Ostpolitik do Vaticano, a qual e uma extensao do Acordo Vaticano-Moscou) continua a ordenar que os assuntos publicos da Igreja sigam a mesma linha deste perfido Acordo, muito embora torne-se claro, numa percepcao tardia, que este Acordo e desastroso para a Igreja. O Papa Joao Paulo II e o cardeal Ratzinger tem declarado, publicamente, seu desencanto em relacao a este Acordo. 

A lucidez deste artigo lanca uma nova visao sobre a importancia vital da Mensagem de N. Senhora de Fatima aos nossos dias. Ele nos ajuda a entender melhor por que, ate agora, a ordem de N. Senhora para que se consagre a Russia nao foi obedecida. A existencia do Acordo Vaticano-Moscou e mostrado, aqui, em ambas as fontes: a Catolica e a Comunista. Desde a publicacao deste artigo, na Franca, em fevereiro de 1984, a existencia do Acordo Vaticano-Moscou foi reconfirmada. 

Observe, neste artigo, que o Acordo toma a nomenclatura de Acordo Roma-Moscou. Ele foi extraido de uma revista francesa chamada "Itinerario". Os subtitulos marcados por um asterisco(*) foram acrescidos pelo editor do Cruzado de Fatima. 

Houve um Acordo (*)

Negociacoes secretas entre a Santa Se e o Kremlim realmente aconteceram. Um acordo foi concluido. Roma e fiel a esta pacto. Cada indicacao aponta que o acordo esta em plena validade, embora nao mais seja uma coisa de ontem e sim de anteontem: 1962. Aproximadamente, por mais de vinte anos, a atitude universal da Igreja Catolica, com referencia ao Comunismo, tem estado sob a tutela das promessas concedidas aos intermediarios Sovieticos. 

Nao estou revelando segredo algum. Estou recordando aquilo que todo mundo merece saber e que todos tem esquecido, quer ignorando o assundo, quer fingindo nada poder dizer sobre ele. 

Mesmo assim, tres coisas foram publicadas em 1962, por ambas as imprensas, catolica e comunista: (1) A existencia das negociacoes, (2) as conclusoes do acordo, (3) as promessas feitas pela Santa Se. Este conteudo foi relatado de forma escrita e falada, mas escapou do noticiario geral. Os comentaristas altamente bem informados baixaram seus olhos, timidamente. Nao houve nenhuma apreciacao concreta, com excecao do que foi divulgado pela revista Itinerarios. Tal alienacao, se real ou finginda, foi de abrangencia universal, pois hoje, a ignorancia sobre o assunto e total. O desconhecimento e tanto que, quando resume o caso todo em poucas linhas, no Presente, em 30 de dezembro p.p., suscitei muitas vezes, com o sarcasmo ou com a descrenca irritada de alguns. 

Os Fatos Essenciais (*)

Aqui transcrevo o que foi dito em meu resumo: "Joao XXIII concedeu ao negociador Sovietico, Dom Nikodim, a promessa de nao atacar o povo OU O REGIME adotado pela Russia. Isto foi feito para assegurar a permissao de Moscou no sentido de que observadores Ortodoxos Russos pudessem participar do Concilio. Desde entao, a Santa Se Considerou-se comprometida face as promessas de Joao XXIII feitas aos Comunistas. A partir de um determinado momento o Comunismo nao foi sequer mencionado, em nenhum documento papal."

Lendo isso, o povo reagiu como se nunca tivesse ouvido falar das negociacoes ou das promessas. Estranhei o fato, porque o assunto, naquela epoca, havia sido materia publicada na Itinerarios. 

Pedimos aos nossos velhos leitores que nos perdoem pela repeticao de textos, datas e fatos ja referidos. A questao e que, para muita gente, eles sao algo absolutamente novo de primeira mao. 

I - A Condicao Estabelecida por Moscou

Em novembro de 1961, um ano antes do inicio do Vaticano II, o Kremlin deu a conhecer, publicamente, que condicao haviam estabelecido ao Vaticano, em troca da autorizacao para que os representantes do Patriarcado Moscovita viessem e participassem dos trabalhos do Concilio, como observadores. 

Sua Suprema Santidade, Dom Nikodim (*)

O porta-voz do Kremlin era, como aconteceu, 'Sua Suprema Santidade Monsenhor Nikodim', segundo o registro feito pelo L'Humanite, o principal orgao do Partido Comunista Frances. 

Este Dom Nikodim e uma pessoa que parece ter sido finalmente convertida ao Cristianismo, pouco antes de morrer em Roma, nos bracos do efemero Joao Paulo I, em 1978. Ele tinha sido, formalmente, um agente da K.G.B, instalada no corpo governamental da Igreja Russa. Nasceu em 1929 e fez uma meteorica carreira na Igreja: foi padre aos 20 anos; reitor da Catedral de Jaroslav aos 25; chefe da Missao na Terra Santa aos 26; chefe da Chancelaria Patriarcal aos 30; aos 31 bispo e chefe do departamento de 'relacoes exteriores' do Patriarcado de Moscou, isto e, oficial da Igreja Ortodoxa, a qual e um instrumento do Estado Sovietico e do partido Comunista. 

Foi quem arranjou a admissao do Patriarcado no Concilio de Igrejas, em Nova Delhi, em novembro de 1961. Foi naquela ocasiao que declarou o tipo de condicao estabelecida pelo Kremlin, afirmando que observadores do Patriarcado de Moscou podiam participar do Concilio, 'se nao houvesse declaracoes hostis ao nosso bem amado pais'. 

Suas afirmacoes continuaram: 'O Vaticano e muitas vezes agressivo, no que se refere ao nivel politico, com relacao a Russia. Nos, Cristaos, crentes Ortodoxos Russos, somos cidadaos leais ao nosso pais e amamos profundamente nossa terra natal, eis por que qualquer coisa que atinja nosso pais prejudica a melhoria de nossas relacoes com os demais'. 

Estas declaracoes de Dom Nikodim nao foram secretas. Apareceram publicadas, subsequentemente, na Franca, na pagina 29 do janeiro 1, 1963, exemplar contendo 'Informacoes Catolicas Internacionais' e tambem nas paginas 177-178 do Itinerarios (Numero 70) de fevereiro de 1963. 

A esse tempo, nao sabiamos ainda que negociacoes tinham ocorrido e que um acordo havia sido consumado, nas bases, entre Roma e Moscou. Sabiamos que observadores ortodoxos russos tinham finalmente chegado a Roma, em outubro de 1962, para a abertura do Concilio. Mais tarde, percebemos a importancia da condicao preliminar que havia sido ditado por Moscou. 

No mesmo numero da Itinerarios explicamos isso: 

'A maneira de agir do Monsenhor Nikodim, que e surpreendente, consiste na proibicao de qualquer critica ao Comunismo, alegando ofensa dirigida ao seu proprio sentimento civico e patriotico toda critica ao Comunismo foi considerada pelo Dom Nikodim, como sendo um ataque ao seu pais. 

'O Vaticano nao tolera nenhuma animosidade relacionada a nacao Russa, ao povo Russo ou ao pais. Entretanto, sendo um esperto agente do Kremlin, Dom Nikodim, identifica o povo Russo e o pais com o Comunismo. Em nome do "patriotismo", ele estabelece, como condicao prioritaria para qualquer entendimento religioso, a omissao de todo e qualquer agravo expressado contra o Comunismo... 

'Para assegurar, atraves deste expediente, que o Concilio nao dira uma so palavra a respeito da maior desgraca, do maior crime do nosso seculo, o que e, na verdade um objetivo primordial para Moscou. Nos nao sabemos se este ultimato tem sido o assunto de negociacoes secretas posteriores, mas todos podem ver que este ultimato foi publicamente formulado.' (Itinerarios, numero 7, fevereiro de 1963)

Nao sabiamos, em janeiro de 1963, quando estas palavras haviam sido escritas; elas apareceram no numero de fevereiro. Entendemos apenas que Moscou tinha estabelecido uma condicao para a vinda dos observadores ortodoxos - e que estes observadores tinham finalmente chegado; mas estavamos para saber, quase que imediatamente, que a negociacao tinha acontecido. 

II - O Acordo Concluido entre Roma e Moscou e a Promessa Feita Pela Santa Se. 

A imprensa Comunista foi a primeira a divulgar o acordo. E, neste ponto, ela nunca se enganou ou se contradisse. Ressaltemos, entre outros, o noticioso frances 'Semanario da frente do Partido', que publicou na pagina 15 do seu exemplar de janeiro de 1963, 16-22, o seguinte: 

'Desde que o sistema socialista, no mundo, vem se mostrando sua indiscutivel superioridade e goza da aprovacao de muitas centenas de milhares de pessoas, a Igreja nao pode tolerar mais a acao de um cruel e grosseiro anti-comunismo. ELA TEM ATE MESMO SE COMPROMETIDO, POR OCASIAO DE SEU DIALOGO COM A IGREJA ORTODOXA RUSSA, DE QUE NAO HAVERIA NENHUM ATAQUE DIRETO AO REGIME COMUNISTA DURANTE O CONCILIO.'

Este texto foi reproduzido da 'france nouvelle' em Itinerarios, numero 72, de abril de 1963 (pagina 43) com este comentario: 

'Em outra parte, no mesmo jornal e na propaganda Comunista, geralmente, abordando o assunto a respeito do Concilio, a mesma formula e repetida, como se fosse a clausula literal de um acordo explicito que houvesse sido formalmente concluido: "Nenhum ataque direto ao regime Comunista!"

'E, curioso que isto tenha sido dito e repetido abertamente, sem que provocasse nenhuma reacao aparente. Vamos supor que uma Igreja Protestante Americana tivesse publicamente declarado, como condicao para o despacho de observadores: "nenhum ataque direto ao estilo de vida americano nem ao regime capitalista". Suponhamos que uma propaganda subsequente se jactasse de ter obtido um comprometimento neste ponto. Que escandalo nao arrebentaria na imprensa Catolica! O mundo viria abaixo, pois se o "estilo de vida" americano e o "Capitalismo" estivessem SOZINHOS a exigir, e certo que tinham obtido um imenso, raro, exclusivo e restrito favor da parte dos que presidem o Concilio.'

III - O Fato e os Detalhes Confirmados em 'A Cruz'

Uns poucos dias, depois, 'A Cruz', de sua parte, publicou um paragrafo modesto mas substancial, na pagina 5 de seu exemplar de 15 de fevereiro: 

"O jornal "Le Lorrain", de 9 de fevereiro, publica a reportagem sobre uma conversa do Bispo Schmitt com jornalistas daquele periodico. Alguns detalhes interessantes foram fornecidos pelo Bispo Metz sobre o motivo da presenca, em Roma, de observadores da Igreja Ortodoxa Russa. Foi em Metz que o Cardeal Tisserant encontrou Dom Nikodim, o arcebispo encarregado dos negocios estrangeiros da Igreja russa e foi la que a mensagem levada por Dom Willebrands a Moscou foi preparada. Dom Nikodim, que tinha vindo a Paris nos primeiros quinze dias de agosto, expressou desejo de se encontrar com o Cardeal Tisserant. A reuniao teve lugar na casa de Fr. Lagarde, capelao das Irmazinhas dos Pobres, em Bordes, sempre dedicado aos problemas internacionais. Apos esta discussao, Dom Nikodim concordou que alguem devia ir a Moscou para transmitir um convite, UMA VEZ QUE FICASSE ACERTADO A POSICAO NAO POLITICA DO CONCILIO. 

Esta materia, publicada em 'La Croix' (A Cruz) pareceu nao ser notada por ninguem, com excecao da retrospectiva do Itinerarios, que a reproduziu no exemplar de abril de 1963, ja mencionada e comentado nesses termos: 

'Isto nao e exatamente uma negacao das assertivas comunistas. E precisamente uma confirmacao da existencia de "promessas". A frase "uma vez que ficasse acertado a posicao nao-politica do Concilio" e de algum modo obscura e podia ser equivoca. Por um lado, a Igreja, sua doutrina e Concilios certamente "nao sao politicos", publica e frequentemente. De outro lado, a Igreja professa uma moralidade politica, e esta moralidade diretamente condena o regime Comunista. E dificil imaginar que a Igreja pudesse renunciar a toda a moralidade politica, e e impossivel que esta subitamente se tornasse neutra ou indiferente, no que diz respeito ao Comunismo. 

'No sentido legitimo, consistente e, digamos, num certo sentido - em que se pode observar o comportamento "nao-politico" da Igreja - seria com relacao a "Divini Redemptoris", que e uma enciclica "nao-politica", podendo ser vista como uma enciclica religiosa e moral. Muito diferente e a atitude de Dom Nikodim ao insistir em "promessas", motivadas apenas por uma "neutralidade politica" daquele tipo. E lamentavel que esteja sendo permitido a circulacao desses assertivas, que nao sao penas murmuradas, mas declaradas de viva voz - que a Igreja se comprometeu a nao autorizar "ATAQUES DIRETOS AO REGIME COMUNISTA."

'Certamente, alguem pode interpretar as palavras: a Igreja, de Fato, nunca "ataca" nada ou ninguem. Ela defende os direitos naturais e sobrenaturais da pessoa humana. Tal distincao, no entanto, nao iria satisfazer ao corpo governamental Sovietico do Patriarcado de Moscou. 

'E facil entender o estratagema Sovietico. Eles gostariam de comprometer e desacreditar a Igreja. Eles gostariam que a Igreja aderisse a chamada linha de tendencia "progressista", a qual, sob o pretexto de denunciar a injustica, combate ao lado de todos os "anti's": anti-capitalismo, anti-colonialismo, anti-paternalismo, anti-corporativismo, anti-integrismo, etc.,etc., - TODOS OS ANTI'S COM EXCECAO DE UM: o anti-comunismo. 

'Em sua mensagem de abertura, para o mundo, os Padres do Concilio afirmaram, solenemente, que ERA PARTE DO DEVER DA IGREJA DENUNCIAR FLAGRANTE INJUSTICAS. Como podia a Igreja fazer isso, SE, NO PROCESSO, ELA GUARDOU SILENCIO SOBRE A MAIS FLAGRANTE INJUSTICA DO MUNDO CONTEMPORANEO - a mais alta e perfeita EXPLORACAO DO HOMEM PELO HOMEM, que sempre existiu dentro do regime Comunista? Deste modo, ela perderia toda a sua autoridade moral aos olhos dos agnosticos de boa vontade. Acabaria por confundir as mentes de seus proprios fieis.'

Naquele tempo, embora analisassemos a significacao precisa das exigencias Comunistas, nao podiamos imaginar que a Santa Se cairia na armadilha, de forma tao completa. Assim, nosso comentario acrescentou: isto e humanamente impossivel e nao acontecera. Algumas Igrejas locais tem sido envolvidas neste silencio sistematico sobre a mais grave de todas as injusticas do mundo de Hoje. Sempre havera e muitas vezes tem havido, na Historia da Igreja alguns membros do corpo eclesial, que se apresentam mais ou menos doentes. A Igreja Universal, reunida no Concilio, e um assunto completamente a parte. 

'Os Comunistas, no entanto, a fim de destruirem a influencia da Igreja no mundo de hoje, estao audaciosamente procurando espalhar a crenca de que o compromisso realmente foi selado: "NENHUM ATAQUE DIRETO AO REGIME COMUNISTA". 

E assim, o fato se comprova: nem durante nem depois do Concilio houve qualquer 'ataque direto ao regime Comunista'. Nao tem havido nenhum. Algumas vezes aparecem advertencias contra filosofias 'materialista' e ideologias 'totalitarias' - sempre emitidas em termos gerais e frequentemente vagas. O Comunismo nao e mais chamado sequer pelo seu proprio nome. 

IV - A Interpretacao Benevolente

No ano seguinte, em junho de 1964, um exemplar da Itinerarios (numero 84, paginas 34 a 90) levantamos toda a questao novamente, no empenho de colocar a mais benevolente interpretacao: 

'A presenca dos observadores Ortodoxos Sovieticos na primeira sessao do Concilio foi negociada com Arcebispo Nikodim. As negociacoes tiveram andamento em Metz, em 1962. O Arcebispo Nikodim e o Cardeal Tisserant prepararam a mensagem-convite e o Arcebispo Willebrands foi autorizado a leva-la para Moscou. Nas negociacoes, Arcebispo Nikodim inseriu "promessas", das quais nao se teve nenhuma informacao publica vinda de fontes catolicas... Os Comunistas, de sua parte, publicamente afirmam que a Igreja Catolica "TINHA ASSUMIDO O COMPROMISSO, POR OCASIAO DE SEU DIALOGO COM A IGREJA ORTODOXA RUSSA, DE QUE NAO HAVERIA NENHUM ATAQUE DIRETO AO REGIME COMUNISTA DURANTE O CONCILIO."

'E, pouco creditavel que um compromisso tenha sido assumido, no sentido de que o Concilio nada diria sobre o Comunismo, mas e altamente provavel que o arcebispo Nikodim tenha direcionado as negociacoes para um terreno de posicoes completamente ambiguas. Ele pleiteou para que o Concilio assegurasse uma posicao "nao politica" e nao atacasse a "sua patria": asseguramentos faceis de conseguir, mas que nao tem o mesmo significado para negociadores Sovieticos e Catolicos. Para os primeiros, estes asseguramentos significam que nada seria dito contra o Comunismo. Como a ambiguidade nao foi esclarecida, os jornais Comunistas publicamente propagaram seu ponto de vista sobre "o compromisso firmado" pela Igreja Catolica e nao encontrasse quem se opusesse a isso. 

Foi um "mal-entendido" - um deliberado mal-entendido inventado pelo arcebispo Nikodim e que terminou gerando um desastroso impasse. Muitos dos padres do Concilio prematuramente desejam que a Igreja mostre que esta "presente no mundo". Todo um esquema, o esquema 17, esta sendo preparado sobre este assunto: mas sobre que tipo de presenca no mundo teria a Igreja se pronunciado? Acerca de todos os grande problemas mundiais, com excecao do problema Comunista? Teria agido como se o Comunismo nao existisse? Teria opinado sobre Capitalismo, racismo, subdesenvolvimento, justica social, tudo - exceto Comunismo? Sim, mas como este regime poderia ser discutido sem que houvesse uma quebra do compromisso, que certamente, nao foi assumido, mas sobre o qual uma das partes declara e julga ter sido este realmente negociado e firmado?

'Este desastroso impasse podia ter sido evitado, se a pessoa, a carreira, e a real conduta do arcebispo Nikodim tivesse sido melhor estudada e compreendida.'

Nao estamos arrependidos de ter optado pela mais benevolente das interpretacoes, em 1963 e 1964. E um dever iniciar desta maneira, mas nao se deve persistir no mesmo caminho quando este se tornar claramente insustentavel. 

Notas

1 - Nada sabemos sobre o Pe. Lagarde. O Padre de quem estranhamente se diz: 'que tem sido uma pessoa sempre dedicada aos problemas internacionais'. Nao inquirimos sobre ele, na epoca, porque nao era da nossa conta e imaginavamos que outros fariam isso ou mesmo fizeram. Seria interessante, hoje, que tivessemos algumas informacoes precisas sobre esta personalidade, nem que fosse atraves de uma retrospectiva historica. 

2 - Por outro lado, estamos inteiramente familiarizados com a figura do bispo em cuja residencia as negociacoes de Nikodim e Tisserant foram levadas a efeito: o Exmo Sr. Paul-Joseph Schmitt, Bispo de Metz desde 1958. Poucos anos apos as negociacoes de 1962 - em 1967 e 1968 - ele revelou-se completamente, proclamando que a mudanca no mundo devia envolver mudanca semelhante na ideia de salvacao trazido por Jesus Cristo, e na ideia dos designios de Deus para o mundo. Ele tambem declarou: "Temos de levar em conta a repressao que os Marxistas nos dirigem. Depois de 9 seculos, os Cristaos nao tem sido bem sucedido em colocar a economia a servico do homem. A exploracao do homem pelo homem e ainda uma tragica realidade.' O Exmo Sr. Paul-Joseph Schmitt, em religiao como em moralidade politica, e a encarnacao mesma da heresia episcopal contemporanea, que baseia o assunto de nosso livro 'A Heresia do seculo XX', (vol. 1). 

3 - O Cardeal Tisserant, costumeiramente considerado um Gaulista de primeira viagem (o que provavelmente foi) e tambem um escandaloso anti-comunista (o que nao e muito certo ter sido). Sempre o vi como sendo um patife. Muito pode ser dito sobre ele. De qualquer forma, sua presenca nas negociacoes nao garante inocencia nem pureza de intencoes. Nao posso acreditar que o arcebispo Nikodim o tenha enganado. Considerando tudo, penso que ele concebeu o desejo (ou recebeu ordens para isso) de negociar, nao importando a que preco. 

4 - Um ano antes do acordo ter sido concluido entre Roma e Moscou, Joao XXIII publicou uma enciclica social, 'Mater et Magistra' (em 15 de maio de 1961). A palavra COMUNISMO era ainda mencionada, para recordar 'a fundamental oposicao entre o Comunismo e o Cristianismo' (pagina 34). Penso que esta foi a ultima vez(que isto foi feito) num documento Papal. Desde entao, sua importancia foi astuciosamente diminuida, como se propositalmente devesse aparecer em sentido retrospectivo. Esta palavra apareceu, preliminadamente, num antigo ensinamento papal, atribuido a Pio XI o que nao esta incorreto; e Joao XXIII nao questionou isso, mas nao fez uso dela e evitou repeti-la. Posteriormente, referiu-se exclusivamente a enciclica de Pio XI 'Quadragesimo Ano', e de forma alguma a enciclica 'Divini Redemptoria', sobre o Comunismo. Esta foi uma omissao bastante significativa e nao pode ter vindo de um simples lapso de Memoria. 

5 - Se a enciclica 'Mater et Magistra' e anterior ao Acordo Vaticano-Moscou, a enciclica 'Pacem in Terris' e posterior a ele (abril, dia 11, 1963). Consequentemente, nao se mencionou mais o Comunismo - nem mesmo para recordar que ele existe, formalmente, ou que num tempo bem recente, foi condenado pela Igreja. Desta maneira, Roma cumpriu a promessa feita aos Comunistas. 

6 - Na enciclica 'Pacem in Terris', Joao XXIII declara: '...a formula filosofica nao muda, uma vez tenha sido estabelecida em termos precisos.' E uma estranha assertiva, que toda a Historia das doutrinas e sua evolucao claramente contradiz. Entretanto, a intencao declarada de Joao XXIII era, partindo deste ponto, astuciosamente restrigir a extensao das condenacoes da Igreja a 'uma falsa filosofia da naturesa, origem e proposito dos homens e do mundo', isentando dela rigores tais como 'um programa politico, economico, social e cultural, mesmo quando um programa deste tipo embasa sua origem e inspiracao naquela filosofia.'

Vamos seguir seu ponto de vista: a Igreja condenou a doutrina Marxista e nem a doutrina nem a esta condenacao podem, daqui por diante, mudar; mas o Movimento Comunista esta evoluindo (para melhor), e por isso a maravilhosa conclusao: 'Pode algumas vezes acontecer, todavia, que encontremo-nos arranjados para a consecucao de um objetivo pratico - embora ate agora eles tenham se mostrado totalmente inuteis - possam de fato ser proveitosos na epoca atual ou pelo menos oferecem prospectivas de sucesso.' (para 160 edicoes CTS)*. 

* Sociedade da Verdade Catolica na Inglaterra

Deste modo, subrepticiamente, agiu Joao XXIII, rescindindo a injucao pontificia: 'Todavia, aquele que deseja salvar a civilizacao Crista da extincao jamais deve rende-la a assistencia Comunista. Seja por qual motivo for' (Divini Redemptoris, 22). 

7 - De fato, toda aquela mixordia dos paragrafos 159 e 160 da 'Pacem in Terris', nunca foi praticada pela hierarquia eclesiastica, exceto para beneficiar o Comunismo (E o socialismo Marxista) - e nunca em beneficio do fascismo ou libreralismo. A despeito da aparente desorientacao de uma regra geral aplicavel a cada doutrina e beneficiando cada movimento, tudo funcionou como uma estrategia feita para acomodar o Comunismo, em si mesmo. 8 - E agora, considerando as coisas sob a otica de uma perspectiva historica de aproximadamente um quarto de seculo, nao mais podemos duvidar que, confrontada com o Comunismo, a Santa Se tem, voluntariamente efetivado o desarmamento unilateral. Nos temos tambem, certamente,razao em pensar que os orgaos centrais da Administracao da Igreja tem sido penetrados: nao apenas, como sabemos, por modernistas (que por esperteza ou inconcientemente, como pode ser o caso dos auxiliares da Maconaria Livre) mas tambem pelos agentes Comunistas. Por conseguinte a distocao sistematica das informacoes e uma realidade. No entanto, nao e mais possivel supor que a atitude dos Papas, de Joao XXIII, em relacao ao Comunismo, derive do fato de terem sido ludibriados. 

 

COMENTARIOS DO "CRUZADO DE FATIMA" SOBRE O ACORDO VATICANO-MOSCOU. 


E VERDADEIRO: O VATICANO FOI SILENCIADO POR MOSCOU

EM NOSSO TEMPO: A IGREJA CATOLICA TRAIDA

PORQUE O ACORDO VATICANO-MOSCOU DEVE SER REPUDIADO

A PERSEGUICAO ATUAL SOFRIDA & AERIAMENTE SUA SALVACAO ETERNA

A CRISE INTERNA DA IGREJA, EM NOSSOS DIAS, E CAUSADA PELA DISSEMINACAO DOS ERROS DA RUSSIA. 


PAPA PIO XI - "DIVINI REDEMPTORIS" 

Tabela de Conteudos 





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